A TINTA SEGURA NA MÃO DO SCS E GRITA POR LIBERDADE.





"reinaugurada, a Galeria dos Estados é um ponto vivo do nosso Centro. Ali, pulsam vidas. Levar a arte do grafite aos seus muros é trazer aos olhos a alma dessa cidade diversa”.
Secretário de Cultura e Economia Criativa, Bartolomeu Rodrigues, para o Correio Brasiliense.

O graffiti fala aos que querem ou não saber a verdade.

Antes de ser belo esteticamente, a arte é a expressão genuína do sujeito que experimenta e vive o cotidiano.


A crítica-denúncia política, social e econômica é a essência das artes de rua. Afinal, como o Klaus nos falou no último post, o graffiti é o grito dos excluídos.


A transgressão surge para acordar uma sociedade imersa nos seus próprios desejos e privilégios.


Incomoda, escandaliza, escancara e estoura a bolha que criamos. Para que a sociedade, todos nós, possamos assumir que somos responsáveis tanto pela justiça social quanto pela violência contra corpos da realidade - pretos, indígenas, gordos, a comunidade LGBTQI+, mulheres, deficientes.


Através dos graffitis realistas, amplamente difundido, de representação da natureza e/ou personagens - tanto ícones da história nacional e mundial, quanto os que representam a força da população, sobretudo os trabalhadores -, os outros estilos do graffiti também começaram a ser reconhecidos como arte, mundialmente.


Nos encontramos agora, então, nesse movimento de utilizar o graffiti para embelezar os caminhos rotineiros. Como um alívio para o corpo, mente e olhar. Como ser ouvido e acolhido. Como se ver, depois de tanto ser posto pra debaixo do tapete.


Importante nos atentarmos que esse movimento não deveria ser utilizado como mais uma forma de higienização dos estilos, de colocar o graffiti contra ele mesmo.


Limitar o espaço e os traços é apenas uma outra forma de podar suas asas. Seu objetivo é ser livre para libertar quem é oprimido nessa sociedade do lucrar, do privar, do excluir.


A arte de rua fala, mesmo que muitas vezes não seja o que queremos ouvir.



“O Encontro de Graffiti democratiza o acesso à cultura e valoriza o trabalho dos grafiteiros e da cultura hip-hop presente no DF”.
Subsecretária de Cultura e Economia Criativa, Érica Lewis, para o Correio Brasiliense.

Valorizar o graffiti acontece também no valorar.

Vivemos em um mundo dependente das redes sociais. Uma identidade. Se não aparece no seu feed, não aconteceu.


Inseridos nessa realidade, surge a importância de documentar os graffitis como forma de eternizar e declarar a admiração. Postar uma fotografia nas redes sociais é a forma mais simples de apoio.


No entanto, durante as pesquisas, conversas e entrevistas, urge: valorizar a arte de rua vai além de compartilhar nos Stories do Instagram.


Denunciar e chamar a polícia para os graffiteiros, mesmo sem saber se é ou não autorizado, é marginalizá-los. Conhecer os artistas que vem transformando a paisagem da cidade - e seus processos criativos - é entender que também são pessoas que sentem e se sensibilizam com o outro, com você. É enxergar realidades e anseios dos que estão sendo impossibilitados de acessar seus direitos.


Autorizar, e pagar, por um graffiti no seu muro/parede/qualquer que seja o meio, é possibilitar uma cidade mais colorida e engajada proporcionando o amadurecimento social de sua população.


"Este é um passo de um projeto muito maior de ressignificação da Galeria, que é um espaço bem representativo e com um grande fluxo de pessoas todos os dias".
Subsecretária de Economia Cultura e Economia Criativa, Érica Lewis, para o G1.




E se o mundo fosse um pouco do que o SCS é.

A gente não apenas existe no espaço.


Rimos, choramos, dançamos, trabalhamos, comemoramos, abrigamos, brigamos, alimentamos, dormimos, amamos, morremos.


Em toda relação levamos nossas vivências. Como nos relacionamos com o espaço reflete no mesmo. Afinal, a cultura constrói o espaço.


E que tipo de relações com e no espaço estamos construindo?


Se sentir pertencente à cidade, não é apenas enxergar o belo, também é se desarmar do que achamos sobre a realidade para enxergar holisticamente suas dinâmicas, assim possibilitando utopias palpáveis. Afinal, não há respostas rápidas e fáceis sobre as questões do urbano.


Sair da zona de conforto dói. Perceber que privilégios, enquanto há outros que os direitos são negados, ou perceber que não tem acesso ao mínimo porque uma minoria - que detém poder bélico, financeiro, extensões de terras e influência - quis assim, dói.


A ocupação do que é público, é a retomada do poder de quem deve construir o atual e o futuro. É do povo, para o povo e sobre o povo.


A Feira, é um ensaio para a utopia do possível: o SCS sendo um espaço que, com muita luta, afeto, arte e cultura, tem reconquistado a democracia.


Tem sido quem cura, à quem quer dançar, viver, falar, ser, sem medo de repressões.


Já estamos com saudades.